Pular para o conteúdo principal

O ENCONTRO COM O PAI

Imagem Pixabay  free


"Vocês não têm como saber o dia em que seu Senhor aparecerá... Então vigiem, vocês não têm como saber quando seu Senhor irá se manifestar". Disse Jesus em Mateus 24. 42-44 (AMensagem de Eugene Peterson, Bíblia em Linguagem Contemporânea)*

Um dia normal. Tudo acontecendo como nos outros dias. Entra no vagão , vai pulando de um a um e, na quinta estação, a da Penha, inesperadamente o encontro ocorreu.

Primeiramente, vovô fez papai sentar e o obrigou a contar tudo. Papai narrou o motivo dele abandonar os estudos e ir trabalhar e ele percebeu como vovô, apesar de ser um homem severo, e violento, engolia "em seco" olhando para fora do trem e lágrimas nos olhos.

O tal amigo do vovô o revelador do segredo de papai, estava junto e colocava a mãos no ombro do vovô para o confortar e acalmá-lo, pois ele bem sabia como o sr. Dunga poderia ser violento, por isto fez questão de ir junto com ele procurar papai no trem. 

Papai contando seus motivos ao vovô dissera, como se estivesse cansado da fome e de ter que ir apanhar palmito junto com seu irmão mais velho para saciarem a fome, a situação era bem difícil. Vejamos: havia o racionamento de alimentos e as famílias recebiam do governo um carnê, mas as cotas recebidas do alimento que poderiam comprar realmente não supriam as necessidades da família e, além disto, tinham que enfrentar fila para comprarem o alimento.

Papai contava que as crianças diziam que: -"A guerra inventou a fila!". Eram filas para carne, carvão, açúcar .... e quando não havia açúcar surgiu um açúcar mais escuro parecido com uma rapadura esfarelada.

Papai e uma de suas irmãs sofriam por causa das filas, eles estudavam no período da tarde e os alimentos eram vendidos pela manhã, sobrava para os dois, ele com onze anos e a irmã com treze anos. Se eles chegassem após, às 07h30min da manhã, provavelmente ficariam sem a cota do dia, como acontecera algumas vezes de ficarem sem mantimentos e aí o vovô é quem tinha que se virar para completar a mesa, papai não sabia explicar como vovô fazia.

Por causa da escassez de alimentos, papai e seu irmão mais velho Geraldo tinham, também, que aos sábados, irem com um facão no meio do mato procurar palmito, às vezes, eles encontravam uma palmeira derrubada sem palmito, parecia que todos tiveram a mesma ideia. Então, neste momento em que  papai falava da busca pelo palmito, vovô o agarrou fortemente junto ao peito. Nesta hora papai chorava e vovô lhe disse: -"Nózinho! (era o apelido de papai) você tem de continuar a estudar enquanto pode e tem oportunidade, porque não sabemos o dia que esta guerra vai terminar. E você não terá chance para um trabalho melhor".  Papai sentiu as lágrima de vovô molhando sua cabeça.

Um período de silêncio, que parecia infindo, sucedeu. 

O amigo do vovô falou: -"Chegamos. Dunga o que vais fazer? Levará o menino para o trabalho? Ou...?"  Vovô respondeu:  -"Não! Vou saber onde ele está trabalhando."

Vovô e o sr. José foram a um bar próximo à Oficina para conversarem. Papai foi deixado em um canto, entre os aparelhos e ferramentas de consertos.

Depois da conversa voltaram ao papai. Nózinho firmou o pé e disse: -"Estudar só depois da guerra. Eu prefiro ser burro a passar fome."

Após toda a conversa e acontecimentos, a conclusão foi: papai continuou a trabalhar, vovô lhe dava o dinheiro para as passagens, café e almoço. Um tempo depois vovó fazia e arrumava as marmitas, cedinho, para o vovô e papai levarem.

E o salário? Bem, o sr José, a partir de então, entregava todo o pagamento diretamente ao vovô. Nunca mais papai recebera em suas mãos o valor de seu trabalho na Oficina.

*Neste mundo vivemos, muitas vezes, da maneira que queremos sem se importar com as consequências de nossas decisões e atos. A Bíblia afirma que um dia teremos o encontro , não sabemos o dia e nem a hora, mas o SENHOR virá e nos encontrará. Estamos preparados para este encontro?

Só existe uma maneira de estarmos seguros e salvos no encontro  com o PAI e  Ele mesmo preparou o modo: a Cruz! Onde o  verdadeiro caminho é real e a liberdade é certa. Onde somos perdoados e conduzidos livremente ao Deus Eterno, Santo e Justo, sem condenação, pelo Filho Jesus Cristo.   E, Ele nos diz: -"Estou a caminho! Logo chegarei!." (Apocalipse 22.20 A Mensagem, Eugene Peterson, Bíblia em Linguagem Contemporânea).





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O gramofone, a pedra de galena e as esferas achatadas

  Imagem de Pixabay  free O profeta Daniel teve uma visão do tempo do fim. O livro bíblico que leva o seu nome foi escrito por volta de 170 – 150 a.C. No entanto a história se passa no   6º século a.C, durante o exílio babilônico no reinado de Nabucodonosor. Ele era israelita de linhagem nobre que, bem jovem, foi levado cativo pelo rei babilônico em aproximadamente 605 a.C Deus revelou a Daniel   que   o saber se multiplicaria, conforme Dn. 12. 4 Eu recordei este trecho do livro profético de Daniel porque a evolução da ciência, do entendimento e da tecnologia são reais e bem nítidas em nosso tempo, basta ler este texto digital escrito de maneira remota, no conforto de meu lar. Não tenho ideia de quantos leem ou lerão. Tecnologia ao nosso alcance. Com esta pequena introdução   levo você a conhecer um pouco mais da  inteligência e criatividade   do meu vovô Dunga, numa época distante de nós, mais ou menos década de 40. Como já es...

Luz, a perna mecânica e Instituto Zander

A Palavra de Deus em Atos capítulo 20, versículo 25, diz:   “Vocês são mais felizes dando que recebendo.” Na versão Linguagem Contemporânea de A Mensagem – Eugene H. Peterson A família Maia experimentou isso. Vovô ajudou um amigo. Ele doou seu tempo e trabalho. A crise continuava em casa dos Maias. A II Guerra trazia as suas dificuldades para todos. Dez pessoas em casa, racionamentos, especialmente de alimentos. Vovô Dunga não tinha trabalho fixo. Vivia de tocar em baile ou fazia bico na padaria que o padrasto dele tinha (pois esse homem tinha se casado com sua mãe quando ela enviuvou). Vovô fazia de tudo um pouco: ele tinha quase uma oficina completa em casa. Serralheria, mecânica, técnico em eletricidade. Era um homem inteligente. Nesse momento surge um raio de alegria e esperança. Num acidente com o bonde, um amigo de vovô perdeu um dos pés. Vovô Dunga fez uma perna mecânica, como ele mesmo dizia: “imitação grotesca de pé”, para ele. Esse am...

AMPLITUDE

Eu cresci tanto, tanto, tanto... Por quê fui crescer assim? Por ter crescido demais, não caibo dentro de mim. Eu fiz do meu breve horizonte um campo aberto, sem fim. Minha alma ficou tão grande! (Porque tudo em mim se expande) que não achando amplidão, aos poucos foge de mim. Eu amei tanto, tanto, tanto... (Por quê fui amar assim?) O meu amor de tão grande, foi por alturas, sem fim. Eu alarguei os meus desertos E tracei caminhos abertos, Mas por eles nunca vim. Ah! Por quê fui crescer tanto ? Por ter crescido demais não caibo dentro de mim.  - GSM, década 1950. Foto de EM - SL